quinta-feira, 15 de outubro de 2015

O Amor Cega

Oi, me chamo Ana e vou escrever hoje porque meu namorado me deixou. Deixou não é a melhor palavra, as pessoas falam assim quando alguém morre e Deus me perdoe pensar assim, mas infelizmente ele não morreu, só me largou, melhor essa colocação pois foi exatamente isso o que aconteceu, fui largada.
Eu era a Ana, com 17, bonita, rodeada de pessoas sempre e nunca me sentia só, minha auto estima era ótima, meu humor não era dos piores, eu ria muito, sonhava muito, não chorava facilmente, essa era minha construção psicológica e as pessoas gostavam bastante dessa Ana. Quase todas as pessoas, meu namorado não. Mas não se enganem, ele gostava de mim sim, só que do jeito dele,e ironicamente esse jeito era inseguro, imaturo e abusivo.
Nosso relacionamento teve início numa festa de réveillon, cheio de promessas de um ano melhor com muito amor e novas expectativas. Não cumprimos metade delas, aliás acabei abrindo mão de várias delas por conta do namoro recente. Ao longo desse primeiro ano reparei que eu não era mais eu e sim nós, mas não percebi que ele continuava sendo apenas ele. Percebi também que estava me retraindo, que as festas eram cada vez mais raras, minha aparência já não era a mesma (nem minha auto estima), que havia afastado todas aquelas pessoas, minhas amigas já não estavam ali tão constantemente,  mas ok, ele estava.
Fui alertada algumas vezes sobre ele, sobre quem eu tinha me tornado, mas os anos foram passando e eu me achava feliz. Ficamos 5 anos, 2 meses e 16 dias juntos, sim eu fiz as contas, calculei porque no último ano fui preenchida por uma conformidade absurda que apesar de fazer da nossa relação algo estável estava me corroendo por dentro em forma de covardia. Foram 5 anos de idas e voltas onde ele errava e quem se desculpava era eu, 5 anos de infidelidade, 5 anos de desculpas de um modo geral, 5 anos de inferioridade, tem 5 anos que eu me desfigurei completamente e nem sequer percebi isso, só hoje vejo aquela Ana que fui aos 17, mas o pior: são 5 anos que não recebo o mínimo de respeito necessário à sobrevivência de uma relação e nem sequer me dei a esse respeito (e à coragem) de acabar com tudo isso, fui largada.

Hoje me vejo aqui, aos 22 anos,madura o suficiente pra admitir que o amor acaba sim e que o meu acabou logo no começo de um relacionamento todo errado e frustrado. Me vejo tentando ser aquela que um dia fui, e fazer tudo diferente, não mudar meus conceitos, não aceitar tanta humilhação, reatar com aquele menino do primeiro beijo, mas principalmente tentando romper com a filosofia do arrependimento, porque hoje eu tenho certeza: prefiro me arrepender daquilo que não fiz.

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Equilíbrio

Faz 4 anos. Quatro anos, 1460 dias, parece pouco, parece muito, uma eternidade, um paradoxo (o tempo). Indiferente, talvez insensível, quem sabe realista, até mesmo frustrada, na realidade – satisfeita. Os anos passaram e sem perceber e sequer sentir falta, não escrevi uma só palavra, sobre mim, sobre antigas paixonites, sobre sonhos, sobre você. Não houve nada errado, pelo contrário, tudo está tão certo que perdi a necessidade de escrever, não saberia um motivo pra expor sentimentos que estavam tão bem acomodados e divididos em mim: bons amigos, boas cervejas, boas (e muitas) séries,boa faculdade, boas notas. Aí então que eu inventei essa história de voltar a fazer coisas que deixei pra trás, ouvir músicas que já não ouvia mais, cozinhar antigas receitas, ler livros já esquecidos e voltar a escrever, velhas novidades.
Nesses anos vários detalhezinhos: um livro, uma música, um abraço, um perfume, despertaram em mim vontade de escrever, afinal escrever nada mais é (pra mim) do que expressar um sentimento enfatizado pelo emocional, seja ele bom ou ruim, e devo dizer que na maioria desses anos foram bons, mas eis que algo mais importante ou mais urgente me impedia de vir até essa mesa, até essas letras.Mas chega de urgências. 
Esse texto serve de orgulho pra mim, que cresci muito em 4 anos, apesar de continuar tão imatura (é como já disse, um paradoxo o tempo – e os efeitos dele), hoje tenho opiniões formadas sobre assuntos importantes, superei algumas angústias, não aprendi a lidar com distâncias e me orgulho disso sim, dei o rosto ao vento e entre outras mil coisas descobri em mim (e só) uma capacidade incrível de atrair felicidade e boas energias. 
Enfim, fica aqui o meu agradecimento a todos os autores que li, às musicas boas que ouvi, aos meus amigos e desamores, aos perfumes e abraços que senti e ali me deixei inteira, aos meus desejos, e a esse desafio a que me propus e acredito que concluí muito antes de imaginá-lo, conclui há quatro anos, quando me senti perfeitamente sã, de corpo, mente e alma, e agora posso afirmar que sou nova, que sou outra (mas continuo eu!). O nome disso é equilíbrio.